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TUDO ‘NORMAL’

O verão ainda pulsa nas praias da Grande Belém, apesar da pandemia

segunda-feira, 13/07/2020, 07:14 - Atualizado em 13/07/2020, 07:55 - Autor: Cintia Magno e Pryscila Soares


Outeiro ferveu no domingo, com praias e ruas lotadas. Máscara virou raridade.
Outeiro ferveu no domingo, com praias e ruas lotadas. Máscara virou raridade. | Wagner Santana

Trânsito intenso, praias ocupadas por banhistas e restaurantes à disposição. O clima de veraneio voltou às praias da ilha de Mosqueiro no segundo domingo deste mês de julho. Ainda que a realidade observada seja marcada por novos hábitos impostos pela pandemia da Covid-19, a movimentação observada na manhã de ontem (12) amenizou um pouco a preocupação de comerciantes locais que têm no turismo a principal fonte de renda.

Ao longo da avenida Beira Mar, onde estão localizadas praias como a do Ariramba, do Murubira, do Chapéu Virado e do Farol, o congestionamento formado pela quantidade de veículos circulando desde as primeiras horas da manhã fazia lembrar o cenário tradicionalmente encontrado na ilha nos veraneios de julho. Ainda assim, apesar de uma aparente normalidade, novos hábitos eram exercitados, sobretudo, nos bares e restaurantes instalados na orla.

Logo na entrada do Restaurante Jurubeba, na praia do Ariramba, um recepcionista oferecia álcool em gel e verificava a temperatura dos clientes que chegavam. Entre os funcionários, um novo acessório também se fazia presente, a máscara. Assessor de comunicação do restaurante, Wellington Júnior aponta que foi possível observar aumento na movimentação de visitantes na ilha desde o primeiro final de semana de julho – quando os restaurantes de Mosqueiro foram autorizados a voltar a funcionar após o juízo da Vara Distrital de Mosqueiro autorizar o funcionamento de restaurantes, barracas de praia, lanchonetes e bancas de comida no distrito. “A movimentação já foi grande no último final de semana, mas neste domingo (ontem) aumentou bastante”.

Para que sejam mantidas as medidas de segurança, Wellington aponta que o restaurante tem atuado com apenas 40% da capacidade, com as mesas dispostas a três metros de distância umas das outras. O cardápio também passou a ser disponibilizado aos clientes através de QR Code para que se elimine o manuseio de cardápios físicos. Apesar das mudanças adotadas e do retorno dos clientes ao espaço, o restaurante permanece com o atendimento delivery implantado durante o período em que as praias da ilha ficaram fechadas em decorrência da pandemia. “Nós mantivemos o delivery porque, apesar de muitos clientes já comparecerem ao atendimento presencial, a procura pelo delivery ainda é muito grande”.

Apesar do cuidado observado nos restaurantes, ao longo do calçadão da praia do Murubira o cumprimento do uso dos acessórios obrigatórios por parte dos visitantes deixava a desejar. Sentados na calçada, grupos de pessoas permaneciam muito próximos uns dos outros e não usavam máscaras, mesmo que não estivessem se alimentando ou tomando banho.

‘CARA DE JULHO’

Na praia do Chapéu Virado, a autônoma Marineia Sodré, 30 anos, aproveitava o dia ensolarado com as filhas Maísa, de seis anos, e Vitória, de três. Moradora do distrito, ela conta que voltou pela primeira vez à praia no último domingo, já que antes o acesso aos balneários estava proibido como forma de conter a disseminação do novo coronavírus. “Antes o movimento em Mosqueiro estava muito menor. Começou a melhorar agora”, avaliava. “Já está com mais cara de julho”.

Depois de mais de seis anos sem visitar o distrito de Mosqueiro, o autônomo Francisco Silva, 38 anos, acompanhava a filha Maria Clara, de seis anos, na praia. “Eu sou de Belém, mas moro em Tucuruí. Resolvemos vir para Mosqueiro para aproveitar um pouco a natureza”.

Com o sol convidativo, as praias da Bucólica receberam um bom público. Já os restaurantes reforçaram os cuidados para evitar a propagação do novo coronavírus.
Com o sol convidativo, as praias da Bucólica receberam um bom público. Já os restaurantes reforçaram os cuidados para evitar a propagação do novo coronavírus. Ricardo Amanajás
 

Apesar da busca por um momento de lazer em meio à natureza, Francisco não deixou de observar a falta de cuidado por parte de algumas pessoas. Na água, ele e a filha não usavam a máscara, mas ele aponta que o acessório os esperava para ser recolocado assim que se dirigissem à areia. “O final de semana está tranquilo aqui, mas eu esperava um pouco mais de prudência, que as pessoas estivessem respeitando o uso da máscara”, avaliou. “Apesar dos órgãos de segurança estarem fazendo a orientação, a gente ainda vê pessoas muito aglomeradas e isso é o que mais me preocupa. É muito bom ter um momento de lazer, mas tem que ser com responsabilidade”.

Em diferentes pontos da ilha, agentes de segurança pública prestavam orientações aos visitantes. Blitz também eram vistas não apenas na estrada que dá acesso à Mosqueiro, mas também nas vias de acesso às praias, como a que dá acesso à Praia do Paraíso, por exemplo. Muito frequentada na ilha, a praia também estava tomada por veranistas, formando congestionamento de veículos na via principal.

Em Outeiro, pouca máscara e muita aglomeração

Após a publicação do decreto municipal, no último dia 8, autorizando a abertura de restaurantes, quiosques e barracas de praias dos distritos, orlas e ilhas de Belém, tudo voltou à “normalidade” na Praia Grande, em Outeiro. Na tarde de ontem, veranistas movimentaram o balneário. Mas, a maioria deles não usava máscara. As mesas e cadeiras espalhadas nas áreas das barracas e areia da praia estavam muito próximas umas das outras, desrespeitando o distanciamento mínimo de dois metros.

No decreto houve a determinação do funcionamento com um limite de 40% do total de mesas e cadeiras, assim como a disponibilidade de álcool em gel 70% e pia para lavagem das mãos dos clientes. Os estabelecimentos só podem funcionar de 8h às 19h. No local havia a presença de guarnições da Polícia Militar e, também, agentes da Guarda Municipal de Belém. E, por volta de 15h45, foram posicionadas viaturas da Guarda na entrada principal da praia, para evitar que mais pessoas fossem para o local.

Outeiro ferveu no domingo, com praias e ruas lotadas. Máscara virou raridade.
Outeiro ferveu no domingo, com praias e ruas lotadas. Máscara virou raridade. Wagner Santana
 

Bares e restaurantes estavam abertos, funcionando normalmente. Os barraqueiros e vendedores ambulantes estavam aliviados com o retorno das atividades. Um deles é a vendedora ambulante Maria da Conceição, 59, que reside em Outeiro. Ela trabalha há 4 anos com a venda de refeição e lanches. Durante o período de proibição, ela passou a vender os alimentos em casa para não ficar totalmente sem renda.

DÍVIDAS

“Me inscrevi no auxílio da Caixa, mas até hoje não consegui receber. Tive de vender em casa, com a ajuda dos meus filhos. Foi muito difícil esse tempo sem trabalhar. Adoeci, acho que tive depressão, por ter meus compromissos e não poder pagar. Estou com muitas dívidas. Hoje cheguei 9h aqui e já vendi tudo, graças a Deus. Com esse dinheiro vou poder comprar mais coisas pra vender”, contou.

Também sem poder trabalhar por quase quatro meses, o barraqueiro Ricardo Lisboa, 44, atua na Praia Grande há 25 anos. Ele sobreviveu esse período recebendo somente os R$ 600 de Auxílio Emergencial. Mas viu as dívidas acumularem. “Com essa redução de capacidade, estamos perdendo dinheiro. Antes trabalhava com 70 mesas e agora estou só com 15. É um alívio esse retorno, porque acumulei dívidas de quase R$ 40 mil. Acumulou boletos de energia daqui e de casa, água, cartões e banco, plano de saúde, consórcio. O resto do ano vai ser só pra pagar dívidas. O poder público quer que a gente cumpra essas medidas, mas não dá suporte, não fornecem nem álcool em gel”, disse.

RELAXAR

Em meio à aglomeração, as pessoas curtiam o momento de lazer entre família e amigos. A auxiliar de serviços gerais Nilda Souza, 40, esteve no local acompanhada de amigos. “Desde quando começou a pandemia parei de trabalhar e não saía mais de casa. Voltei a trabalhar dia 5 de junho. Estava com saudade de pegar um bronze. Não tem como impedir essa aglomeração. Tendo dinheiro a gente vêm”, disse ela.

Já a secretária do lar Maria Pereira, 57, moradora da Pratinha, aproveitou o domingo na praia com as filhas, netos e amigos. Ela também teve o contrato de trabalho suspenso e somente agora está retomando a rotina. “Não tava saindo de casa, estava precisando disso. Chegamos aqui 9h e já estava cheio. Não esperava encontrar assim. Eu gosto de Cotijuba e no próximo final de semana devo ir pra lá”, garantiu.

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